A Era Zico
A década de 80 foi a época mais importante na história do Flamengo. Ao conquistar quatro vezes o Campeonato Brasileiro em uma só década (façanha ainda não repetida por nenhuma outra equipe, ainda que a CBF não reconheça o título de 1987), uma vez a Taça Libertadores da América e o Campeonato Mundial Interclubes, o Flamengo foi considerado O Time da Década.
Embora já possuísse a maior torcida do Brasil, o Flamengo só conquistaria o Campeonato Brasileiro na década de 80. Com Zico na equipe, o rubro-negro conquistou seu primeiro título brasileiro em 1980, ao derrotar o Atlético Mineiro no Maracanã por 3 a 2, e Zico foi o artilheiro principal com vinte e um gols.
1981 foi o ano mais especial da década para a história do Flamengo. Além de conquistar o Campeonato Carioca levantou a Taça Libertadores da América derrotando o Cobreloa do Chile por 2 a 0, gols de Zico, na primeira participação do rubro-negro na competição. Depois, conquistou o Mundial de Clubes ao bater o Liverpool da Inglaterra por 3 a 0, em Tóquio. Zico ganhou o prêmio de melhor jogador da decisão. O Flamengo é o único clube carioca possuidor do título mundial. Além disso, houve outra façanha memorável pelo Campeonato Carioca deste ano: Zico e sua equipe conseguiram devolver a goleada de 6 a 0 imposta pelo Botafogo em 1972. Zico marcou o segundo e o quinto gol e Andrade fechou a goleada com um golaço. Em entrevista ao programa Jogos para sempre, do canal SporTV, em 2007, onde a partida homenageada fora justamente a citada goleada, Zico revelou que seus principais objetivos como jogador eram devolver esta goleada e dar ao Flamengo superioridade de vitórias sobre o Botafogo.
Em 1982 veio a segunda conquista do Campeonato Brasileiro, com uma vitória sobre o Grêmio com um gol de Nunes, após passe de Zico. O curioso é que um dia antes do jogo Zico afirmou que o Flamengo seria campeão com ele dando o passe para Nunes fazer o gol do título. Dito e feito, Flamengo se sagrou campeão. Zico foi mais uma vez o artilheiro da competição.
Em 1983 o Flamengo conquistou o tricampeonato brasileiro ao golear o Santos no Maracanã por 3 a 0. Neste mesmo ano, Zico deixou o clube para ir jogar na Udinese (Itália).
Dois anos depois, Zico voltou ao Flamengo e em 1986 conquistou seu último Campeonato Carioca. Zico neste ano participou de poucas partidas, já que em 1985 numa partida do Estadual contra o Bangu ele foi vítima de uma entrada violenta do jogador Márcio Nunes, ficando sem jogar por muito tempo devido ao longo período de recuperação da cirurgia. Mesmo assim nada o impediu de brilhar na partida inaugural do Estadual seguinte, marcando 3 dos 4 gols do Flamengo na vitória de 4 a 1 sobre o Fluminense.
Em 1987, foi um dos principais responsáveis pela conquista do tetracampeonato nacional na Copa União. Em um time onde orientava os jovens Bebeto, Leonardo, Ailton, Zinho, Alcindo e contava com os experientes Leandro, Andrade, Aldair e Renato Gaúcho. Foram memoráveis as vitórias nas partidas semifinais contra o Atlético Mineiro e a grande final contra o Internacional, que foi vencida com um gol de Bebeto.
Em 1988, apesar do Flamengo ainda possuir Zico e todo o grande elenco do ano anterior, permitiu o bicampeonato vascaíno. Porém, esse foi o último título que a equipe de São Januário conseguiu conquistar sobre o Flamengo, iniciando aí a maior escrita até hoje entre os dois clubes: a síndrome do Vice. Desde esse ano, o Vasco não vence uma decisão contra o Flamengo. Nessa época, uma das grandes dificuldades do Flamengo foi os constantes problemas de joelho de Zico.
Após o fim do Campeonato Carioca, vários titulares importantes deixaram o clube, como Andrade, Renato Gaúcho, Leandro, Edinho e outros, como o goleiro Zé Carlos e o artilheiro Bebeto, desfalcaram a equipe para defender a Seleção Brasileira durante as Olimpíadas de Seul. O técnico Carlinhos também foi substituído por Candinho, que teve um tempo curtíssimo na Gávea e foi substituído por Telê Santana. Não contratando substitutos à altura, o Flamengo teve participação regular no primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Permitiu a quinta vitória consecutiva do arqui-rival Vasco (uma série de cinco vitórias que seria devolvida três anos mais tarde), porém teve algumas vitórias marcantes: 5 a 1 sobre o Guarani em pleno estádio Brinco de Ouro e 1 a 0 sobre o Santos no Maracanã, no jogo de maior público do primeiro turno, e 3 a 0 sobre o Criciúma, onde Zico fechou a goleada com um chute tão forte e rápido para o gol que o goleiro do time catarinense nem ao menos se moveu para realizar qualquer defesa. A equipe lutou pela classificação no primeiro turno até a última rodada, mas não a alcançou.
No segundo turno, mesmo com todos seus titulares de volta, o time perdeu vários pontos e estava prestes a perder suas chances de classificação. No primeiro jogo escapou de uma goleada em pleno estádio Beira-Rio contra o Internacional do artilheiro Nílson (3 a 1), porém Zico marcou um belo gol de honra para a equipe. Até que chegou o dia em que o Flamengo enfrentaria o já classificado Fluminense, no famoso Fla-Flu. Os jornais da época revelaram que a equipe tricolor zombou da equipe rival, dizendo coisas como “fechar o caixão do Flamengo”. Porém, com uma vitória através de um gol do artilheiro Bebeto, o Flamengo iniciou sua empreitada rumo à classificação. Este Fla-Flu foi marcado pela estréia do então júnior rubro-negro Marcelinho Carioca no futebol profissional. A partir dessa vitória, o Flamengo não mais foi derrotado no segundo turno, vencendo três dos quatro jogos seguintes, nos quais brilharam as estrelas dos craques Alcindo, Sérgio Araújo e principalmente Bebeto. Na última rodada, o Flamengo teve dois desafios: vencer o Atlético Mineiro e superar o São Paulo na classificação. Ambos adversários eram concorrentes diretos a uma das vagas para a segunda fase. O Flamengo havia feito sua parte no Maracanã, ao vencer a equipe mineira por 2 a 0, gols de Zinho e do ex-atleticano Sérgio Araújo, e graças ao tropeço do São Paulo frente ao Goías (1 a 1), a vaga para a próxima fase foi assegurada,[12] e a classificação foi comemorada pelos jogadores como um título.
Em janeiro de 1989, teve início a segunda fase do Campeonato Brasileiro de 1988, e o Flamengo tinha como adversário o Grêmio, dos então jogadores Paulo Bonamigo e Cuca. O rubro-negro ainda estava sob comando do técnico Telê Santana. Após empatar em 0 a 0 no Estádio Olímpico, a equipe carioca foi derrotada por 1 a 0 na partida de volta no Maracanã, gol de Cuca.
Pelo Campeonato Carioca do mesmo ano, o Flamengo fez um ótimo primeiro turno, goleando o Nova Cidade por 8 a 1, a Cabofriense e o Fluminense por 4 a 0 (uma goleada que afundou em crise o tricolor carioca e causou a demissão do jogador Edinho devido a uma briga com um dirigente ainda nos vestiários) empatando em 1 a 1 com o Botafogo e decidindo de forma invicta a Taça Guanabara em uma tarde de domingo contra o Vasco, eliminado do primeiro turno, num Maracanã lotado. Os jornais da época revelaram que os jogadores vascaínos estavam muito confiantes por haverem ganho as cinco partidas anteriores, e pretendiam ganhar a sexta e fazer a Sena sobre o arqui-rival, e assim entregar ao título do primeiro turno ao Botafogo. O jogador Zé do Carmo chegou a dizer que “perder para o Flamengo seria o fim do mundo para os vascaínos”. O Vasco ainda contava com a maioria dos algozes rubro-negros remanescentes do bicampeonato, como o próprio Zé do Carmo, o goleiro Acácio, Geovani, Bismarck, Mazinho, Vivinho, Cocada, o jovem goleador Sorato e o ídolo supremo Roberto Dinamite. Mas foi o dia da vingança: Com dois gols de Bebeto e um de Renato Carioca, e Bismarck descontando para o Vasco (3 a 1), a equipe da Gávea impediu o que seria uma histórica sequência de seis vitórias vascaínas e conquistou em festa a Taça Guanabara, derrotando também ao Botafogo, concorrente direto ao título Durante a festa, a torcida rubro-negra gritava: “Êêê ôôô, a Sena acumulou!”
Porém, no segundo turno, após empatar em 3 a 3 com o Botafogo num jogo praticamente ganho, onde Zico abriu o marcador com um golaço de falta e o zagueiro Gonçalves estragou a vitória do Flamengo ao fazer um gol contra e permitir a reação do adversário e perder duas partidas (Porto Alegre e Vasco), o rubro-negro entregou a Taça Rio ao invicto Botafogo, que mais tarde se sagraria campeão carioca.
No mesmo ano, iniciou-se um novo campeonato, a Copa do Brasil, e o Flamengo foi eliminado ao se encontrar novamente com o Grêmio.
Pelo Campeonato Brasileiro de 1989, o Flamengo teve participação discreta, porém com algumas vitórias expressivas, como 2 a 0 (gols do Júnior Bujica) sobre o rival Vasco, que já possuía o ex-rubro-negro Bebeto no seu elenco. No meio do campeonato aconteceu a volta de Renato Gaúcho ao clube, e logo em seguida a demissão do seu desafeto, o técnico Telê Santana, devido a uma discussão entre os dois. Outra grande vitória aconteceu quando Zico fez sua última partida oficial pelo clube, numa goleada de 5 a 0 sobre o Fluminense em Juiz de Fora, onde o ídolo abriu o placar com um belíssimo gol de falta (em soma, no ano de 1989 o Flamengo marcou dez gols em três vitórias sobre Fluminense e não sofreu nenhum gol; as vitórias foram 4 a 0 e 1 a 0 no Campeonato Carioca e 5 a 0 no Campeonato Brasileiro). O Flamengo ainda havia vencido o Botafogo com uma vitória por um golaço de Aílton, terminando o campeonato e fechando a gloriosa década de 80 vitorioso sobre seus três principais adversários.
No Flamengo, Zico foi muitas vezes artilheiro do Campeonato Carioca de Futebol e do Campeonato Brasileiro. Marcou 568 gols e foi o maior artilheiro da história do clube, uma grande façanha para um jogador de meio campo. O craque também foi diversas vezes eleito o melhor jogador do Brasil, da América e do Mundo por revistas e jornais especializados em futebol. Em 1990, diante de um Maracanã lotado, Zico faria a sua partida de despedida pelo Flamengo.
Tags: A Era Zico, História, história do futebol
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